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Escriptorio do Editor, Lisboa, 1858 (1859 e 1866). In-8º de 3 volumes com XI-260-(2), VII-273 & IX-277-(3) págs. respectivamente. Encadernação coeva, meia inglesa em pele côr castanha, lombada de 4 casas abertas, dourada com vinhetas, filetes e dizeres dourados. Aparo marginal generalizado e ocasionais restauros antigos.
PRIMEIRA (e únicas ?) EDIÇÃO da obra completa. Os volumes apresentam cada um deles distintos títulos (Primeiro Volume - FLORES E AMORES; Segundo Volume - RELIGIÃO E PATRIA & Terceiro Volume - IMPRESSÔES E RECORDAÇÕES) e com prefácios especialmente escritos para cada um deles, a partir de lugares distintos (Pedrouços, Campo Grande e Casa da Anta - Maiorca, Figueira da Foz). No final do segundo volume, umas Composições de Sr. F.G. d'Amorim que o auhor refere na advertencia e ainda acoplado um índice manuscrito em papel distinto.
Com uma carta manuscrita datada (10.II.1887) e autografada por João de Lemos (Seixas Castello Branco), junto à pasta do primeiro volume, em que o autor declara ser ressarcido de um montante de dinheiro respeitante à sua colaboração e direcção no periódico de causa absolutista A Nação.
João de Lemos Seixas Castelo Branco (1819 - 1890) nasceu em Peso da Régua e veio morrer na Figueira da Foz . Estudou Direito até 1846 na Universidade de Coimbra, onde fundou e dirigiu o famoso jornal poético O Trovador em que germinou a sensibilidade ultrarromântica portuguesa, e participaram, entre outros, nomes que viriam a caracterizar-se por grande celebridade, à época, como sejam Luís Augusto Palmeirim e José Freire de Serpa. A própria poesia do autor, integrado na Segunda Geração Romântica, comunga do sentimentalismo de raiz lamartiniana, da melancolia, do saudosismo — sobretudo no que à terra natal e à pátria se referia — e do convencionalismo formal — nomeadamente, aos níveis da métrica e da rima — que caracterizaram muita da literatura ultrarromântica. Lemos era presença comum nos serões românticos da Regeneração, nos quais brindava a burguesia presente com poesias elaboradas propositadamente para recitação e canto ao piano. Lemos colaborou ainda em Revista Universal Lisbonense (1841-1859), a Revista Académica de Coimbra (1845-1854), o Prisma (1842-1843), a Ilustração (1845-1846) e o Cristianismo (1843).
A poesia de Lemos é marcada por um lirismo caracterizado de um sentimentalismo exagerado, com evocações nostálgicas da terra natal e da pátria, e marcado por um certo convencionalismo. Foi um dos nomes maiores do Ultrarromantismo onde um forte desequilíbrio no domínio do pensamento, com um predomínio da emoção, da exaltação do espírito, da melancolia se manifesta profundamente levando ao tédio da vida e, consequentemente, ao desejo da morte, ao fatalismo. A natureza chega a ser muito triste e vai até ao tétrico, ao macabro, com fantasmas, sepulturas, ajustando-se ao estado de alma do poeta. Afirma-se o gosto pelo melodrama tão longe do equilíbrio do drama romântico.