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sub-título: Predicados en Roma a la Reyna de Suecia, CHRISTINA ALEXANDRA, en lengua italiana, por el Reverendissimo Padre ANTONIO VIERA, de la Compañia de Jesu, natural de Lisboa, Predicador de la Magestad del-Rey D. PEdro II nuestro señor, y traducidos en lengua Castellana por el mismo Author.
En la Officina de Miguels Deslandes, Lisboa, 1695. In-4º de (16)-125-(40) Encadernação moderna (2ª metade séc. XX), inteira de pele com lombada em cinco casas fechadas e rótulo de pele vermelha com dizeres dourados. O aparo marginal é antigo, preservando ainda assim largas margens. Ex-libris moderno no verso da pasta anterior. Muito pequena galeria de xilógago junto à charneira, restaurada e resolvida.
Edição primitiva, de esmerada execução tipográfica, com cabeções e vinhetas tipográficas de bela execução técnica, bonitas e distintas letras capitulares, OMISSA EM IMPRESSÕES DESLANDIANAS de Xavier da Cunha.
O contexto histórico que permitiu o encontro do padre António Vieira com a rainha Cristina I da Suécia, desde 1654, com a rainha viver em Roma depois de ter abdicado do trono sueco e de se converter ao catolicismo. O seu palácio era um pólo de atracção de artistas, intelectuais e religiosos. Tal como acontecera em Estocolmo, a rainha, dotada de grande inteligência e cultura, mas com uma personalidade misteriosa e controversa, continua em Roma a rodear-se das figuras mais célebres da Europa, uma das quais fora Descartes falecido, em 1650, durante a sua estada na corte nórdica. Com António Vieira a viver em Roma desde 1669, a sua fama de pregador acaba por chegar aos ouvidos da rainha, que o convida para pregar no seu palácio. Ficou célebre o confronto de oratória entre o padre António Vieira e o Padre Jerónimo Catâneo, que decorreu no ano de 1664, no palácio da rainha e, no qual, a Catâneo foi proposto defender o riso de Demócrito perante os males do mundo e a Vieira defender o pranto e as lágrimas de Heraclito perante os mesmos males. Só em 1675, após o Breve do Papa Clemente X em que louva António Vieira e o isenta da Inquisição é que este poderá regressar finalmente a Lisboa. A rainha Cristina chegará ainda a convidá-lo, em 1679, para ser seu confessor, mas António Vieira recusa de novo esta proposta. Nesta época, António Vieira prega em italiano, a rainha escuta alguns dos seus sermões – de que este é um dos exemplos – e chega mesmo a convidá-lo para seu pregador. António Vieira recusa o convite porque diz ser o pregador do seu rei D. Pedro II e ainda não ter terminado aquilo que o trouxera a Roma – a revisão do seu processo na Inquisição.
Obra ímpar da nossa prosa barroca, nos quais se aliam a grande capacidade de análise racional, de bom senso e clarividência a um misticismo profético.
Avila Perez, 7994
Azevedo Samodães, II, 3512
Catálogo Rasonado de Garcia Perez, p. 570