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súb-título: traduzido na lingoa portugueza por ordem de Sua Magestade: obra muyto util, & necessaria naõ só para os Governadores das Praças; mas tambem para todos os Officiaes de Guerra, que quizerem aprender a doutrina militar, & as suas obrigações principalmente nos presidios.
Na Officina de Antonio Pedrozo Galram, Lisboa, 1708. In-8º de (8)-519 págs. Encadernação coeva inteira de carneira.
Apresenta um portada alegórica e 8 gravuras gravadas a talha-doce.
Importante tratado de arquitectura militar e fortificação do Iluminismo Português, traduzido pelo Engenheiro-mor do Reino Manuel Azevedo Fortes (1660-1749), em colaboração com o brigadeiro, cronista e guarda-mor da Torre do Tombo Manuel da Maia (1677-1768), a partir da obra original de 1639 de Antoine de Ville (1596-1656) por encomenda real de D. João V.
Considerado pela modernidade da obra, um manual de sobrevivência política e logística militar, publicado num período em que Portugal se encontrava em contexto de guerra – Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) contra Espanha e França. Até então, a nomeação dos governadores de praças-fortes era exclusiva aos nobres pelo estatuto de sangue que, na maioria das vezes, não tinham qualquer formação técnica. Com a publicação deste manual, assistiu-se a uma profissionalização do exército pela criação de uma doutrina militar unificada e moderna, com a transformação de aristocratas em administradores de guerra eficientes. A logística de guerra (armazenamento de mantimentos, gestão de paióis de pólvora, racionamento de água) para garantir resistência a cercos prolongados, a liderança militar e disciplina militar assim como as tácticas de defesa e ataque, passaram a ter, com a publicação desta obra, uma enorme importância estratégica no reino assim como na defesa do Império Ultramarino, servindo de guião para governadores de praças-fortes cruciais no Brasil (fortalezas de Salvador e Rio de Janeiro), África (Mazagao e Moçambique) e Índia (Goa, Damão e Diu).
De raro aparecimento no mercado.
Inocêncio VI, p.45